Nada com nada

Todo dia chego do colégio muito cansada. A impressão que eu tenho é que vou cair a qualquer minuto, como se  meus pés não aguentassem mais meu peso. Sempre me deparo com a mesma cena. Minhas cadelinhas me dando boas vindas e loucas para que eu brinque com elas. Meu irmão, com fone de ouvido mexendo no computador. E por fim, meu pai vendo televisão.
Nunca presto devida atenção ao que ele assiste. O que eu mais quero é tirar o meu tênis, jogar a mochila em qualquer lugar e fazer a primeira coisa que me vem a cabeça: dormir. Mas nesse dia não. Eu cheguei, cumprimentei a todos, como sempre, e sentei no sofá. Não tirei meus tênis no primeiro momento, não guardei mochila, eu só sentei e comecei a ver o noticiário. 
Tantos dias sem almoçar em casa, sem ficar um tempo sentada no sofá sem fazer nada que o que eu mais queria             fazer era nada! Estava passando algumas noticias que eu geralmente não me importo, daquelas que você só presta atenção se lhe é pedido que faça um trabalho sobre ou se não tem nada, absolutamente nada, para fazer ou assistir. O que era meu caso.
A noticia enfim mudou. Começou a passar uma imagem aérea de uma rua bastante movimentada. Pessoas correndo, empurrando umas as outras, doidas para chegar ao seu destino. Não lembro o tema da reportagem, mas aquela cena ficou na minha cabeça. Talvez eu estivesse como aquelas pessoas. Doidas para acabarem com suas obrigações rapidamente, para chegar em casa e não fazer mais nada. Mas chegando em casa, o nada aos poucos ia se tornando sufocante e logo estaria louco para fazer alguma coisa. Varias opçoes do que fazer, do que arrumar em casa passam em sua mente. São tantas as opções que você acaba não fazendo nenhuma.
Assim acabou meu dia. Uma pessoa sentada no sofá, com muitas opçoes do que fazer e não fazendo nada.

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