Melhor modo de acordar

O despertador tocou, mais ela não se moveu. Não queria acordar daquele sonho. Mais ele foi sumindo a medida que o despertador ficava mais alto. Sem abrir os olhos ela jogou aquele velho rádio para longe. Logo após se dar conta do feito, corre para pega-lo. Não estava quebrado, sempre ficava impressionada como ele era resistente. Poderia parecer antiquado, mais ela gostava de ser acordada pelo antigo rádio. Era presente de sua avó e sempre seria grata a ela por tudo que tinha feito. A cidade já estava acordada, escutava buzinas por todo lado, logo cedo. 
Fez tudo como de costume. Foi ao banheiro, tomou café da manhã, e já ia começar a colocar o uniforme quando se lembrou era o seu primeiro dia de férias. O que ela poderia fazer? Poderia ter começado acordando mais tarde. Pensou em voltar para cama, não lhe agradava muito a ideia após ter tomado um banho gelado para despertar totalmente. Visitou o quarto dos irmãos, estavam quietos, de certo dormindo no lugar dela. Pensou em ligar a televisão, mais estava cedo demais até para ver desenho animado. Eram tantos os planos para seu primeiro dia de férias e nenhum deles parecia lhe agradar no momento. Não tinha nada para adiantar para os próximos dias. A internet estaria cheia das mesmas coisas, como sempre. Não tinha nenhum livro para ler, apesar de não gostar muito da ideia de ler nas férias, mais precisava de opções. 
Foi então para a sacada do seu apartamento. Sempre gostou de ir lá, ver a cidade e seu movimento constante era excitante. Viu as pessoas andando, de todas maneiras possíveis. Mais a que mais chamou a sua atenção foi uma senhora de idade mais avançada. Ela não andava normalmente, nem corria, mais era visível algo diferente. Para a idade dela, ela estava bem em forma, além de estar elegante há sua maneira. Não parecia arrogante, mais podia se perceber que ela vinha naquela área da cidade apenas pela padaria em frente. Um bairro de classe média, nada sofisticado. Ela deveria morar no setor ao lado, onde as coisas são mais caras e as pessoas não parecem se importarem com você, pois suas próprias vidas são muito mais importantes para elas. 
Ela entrou na padaria e não demorou muito lá dentro já que o movimento neste horário é menor. Saiu com dois sacos, que imagino serem de pão francês. Um estava menor que o outro. Não queria imaginar a quantidade, seria muita curiosidade. Ela foi andado e foi começando a andar mais devagar que antes. Ela parou e sua expressão mudou, agora ela quase chorava. Olhou para o saco e depois para o lado. Não vi direito para quem ela olhava. Percebi apenas que estava deitado. Ela pegou o menor saco e chamou alguém. Uma criança, com roupa suja e com um grande rasgado na lateral se aproximou desconfiada. A senhora entregou o saco para ela e algo dentro bolsa. Era um brinquedo pequeno. A criança abriu um sorriso, que talvez tenha sido o maior já visto. Correu e deu um abraço na senhora que pareceu estar surpresa com aquele gesto. Retribuiu o abraço. A criança também olhou o saco da padaria e logo pegou um pão doce, ao contrário da minha hipótese anterior. Comeu um pequeno pedaço e rasgou o outro lado entregando para quem imaginei ser sua mãe. A senhora ficou olhando estática, parecia não ter vontade de ir embora.
Todos passavam como loucos a sua volta, sinal que o dia já começará, ninguém se importando com o gesto mais bonito feito ali. A senhora assenou com a cabeça, como se agradece algo, talvez por terem feito algo bom para ela, alegrado seu dia. Ninguém viu aquilo tudo, a não ser eu, a senhora e aquelas pessoas que ninguém dava muita importância.

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